Nota – Primeiras análises da água


8 nov/2015

Em decorrência do rompimento de duas barragens de propriedade da SAMARCO, no distrito de Bento Rodrigues, com consequências em praticamente toda a bacia hidrográfica do rio Doce, o IGAM solicitou ao Centro de Tecnologia e Inovação SENAI FIEMG – Campus CETEC, a realização de coletas e análises de água e sedimentos dos corpos de água afetados, bem como do rejeito das barragens rompidas. Os trabalhos iniciaram-se no dia seguinte ao evento com o planejamento do roteiro e deslocamento da equipe para a área.

Serão monitorados o Rio Gualaxo do Norte, diretamente afetado, e o Rio Doce em toda a suas extensão, desde a sua formação no município de Rio Doce, até a divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo, em Baixo Guandu. Serão coletadas amostras de água e sedimentos.

Parâmetros físicos e químicos a serem analisados:

· condutividade elétrica, oxigênio dissolvido, pH, temperatura, sólidos totais, sólidos dissolvidos totais, sólidos em suspensão totais, turbidez e arsênio.

· metais: alumínio, ferro, cobre, manganês, cádmio, chumbo e mercúrio.

Esses parâmetros foram selecionados para avaliação das possíveis alterações dos corpos de água em função das características do rejeito, sendo possível uma comparação com a série histórica de monitoramento já realizada pelo IGAM ao longos dos últimos anos. Para essa comparação, será realizada também a caracterização química do rejeito.

Em virtude da dimensão do ocorrido, e das condições climáticas, o monitoramento poderá ser reavaliado periodicamente.

Resultados

Na manhã do dia 07/11/2015, foram coletadas e analisadas as primeiras amostras de água e sedimento no Rio Doce no município de Rio Doce e antes da foz do Rio Casca em Rio Casca. Com os resultados preliminares dos parâmetros oxigênio dissolvido, pH, condutividade elétrica e turbidez na água verificou-se que esses dois pontos apresentaram resultados de oxigênio dissolvido e turbidez em desacordo com os limites da legislação.

A turbidez na água, nessa situação foi provocada pela presença do rejeito de minério deixando a sua aparência opaca (marrom avermelhada), podendo reduzir a penetração da luz, prejudicando a vida aquática. Além disso, é esteticamente desagradável na água potável e nas medidas acima de 50NTU (unidades de turbidez) requer filtração, coagulação química para a remoção dos sólidos suspensos e melhor eficiência no processo de desinfecção da água para o seu tratamento para abastecimento. Destaca-se que nos dois locais monitorados foram observados valores da ordem de milhares de unidades de turbidez com valores de 435400 e 597400 UNT, de montante para jusante no Rio Doce, respectivamente.

As baixas concentrações de oxigênio, com valores abaixo de 1mg/L, também são causadas pela presença do rejeito, que impede a passagem da luz e a realização da fotossíntese. Caso o oxigênio seja totalmente consumido tem-se condições anaeróbicas com geração de maus odores. A redução de oxigênio também é provocada por temperaturas elevadas da água (acima de 20ºC), o que foi observado devido às próprias condições do clima, com temperaturas ambientes de 28,3 e 31,4ºC, nos locais de coleta.

Ressalta-se que no local mais próximo ao evento, Rio Doce no município de Rio Doce, os valores encontrados foram mais baixos em relação ao ponto mais a jusante, Rio Doce em Rio Casca, para os parâmetros turbidez, condutividade elétrica e pH e melhor para oxigênio dissolvido. Isso se deve à passagem da onda de cheia no primeiro ponto a mais tempo, em relação ao momento que foi realizada a coleta. Isso evidencia que com a redução da vazão de rejeitos espera-se uma recuperação mais rápida ao longo do Rio Doce.

A realização das coletas diárias e dos demais ensaios laboratoriais ainda estão em andamento.

Ascom/Sisema

Última atualização (Dom, 08 de Novembro de 2015 15:33)


3 Comments »

  • E os metais? Até hoje nada?

    Comentário por maira — 13 de novembro de 2015 @ 19:34

  • Gostaríamos de requisitar os resultados dos demais parâmetros é que estes sejam divulgados com agilidade e com fácil acesso
    Gratos

    Comentário por Cristina Aznar — 16 de novembro de 2015 @ 23:06

  • Acho de suma importância a divulgação de dados técnicos precisos sobre a composição do rejeito e as modificações na composição da água do Rio Doce. Espero que o assunto seja tratado com seriedade e competência, deixando claro para a população as possíveis consequências para a fauna, flora e a saúde humana das milhões de pessoas que habitam a Bacia do Rio Doce.
    Obrigada.

    Comentário por Ana Paula Engler Goulart — 22 de novembro de 2015 @ 11:49

RSS feed for comments on this post. TrackBack URL

Leave a comment