Cerca de 150 pessoas se reuniram na zona rural de Peçanha para dia de campo promovido pelo CBH-Suaçuí


6 abr/2017

Evento serviu para apresentar o Programa de Incentivo ao uso racional da água na agricultura (P22)

A fazenda do produtor rural Elbes Carvalho, que fica na zona rural de Peçanha, recebeu na tarde dessa quinta-feira (06), mais de 150 pessoas, entre produtores rurais e alunos do Instituto Federal de Minas Gerais, campus São João Evangelista, para o dia de campo sobre o Programa de Incentivo ao Uso Racional da Água na Agricultura (P22), promovido pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Suaçuí (CBH-Suaçuí), em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

O evento contou com a participação do vice-prefeito de Peçanha, Fabricio Alvarenga; representantes da Emater; Banco do Brasil; Banco Sicoob; Instituto Estadual de Florestas (IEF); Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA); IBIO e conselheiros do comitê. Além das instituições, estiveram presentes produtores rurais dos municípios de Cantagalo, Guanhães, José Raydan, Materlândia, Paulistas, Peçanha, São João Evangelista, Santa Maria do Suaçuí, São Pedro do Suaçuí e Virginopólis.

“O CBH-Suaçuí se considera realizado em ver tantas pessoas e instituições envolvidas com o meio ambiente e principalmente com o uso racional da água na agricultura, já que é daqui da terra que tiramos o sustento da cidade grande”, destacou William Vagner, presidente do CBH-Suaçuí. Já o atual secretário executivo adjunto e representante da Emater, Rogério Diniz, comentou sobre a importância da participação efetiva dos produtores da região e dos alunos dos cursos de engenharia florestal e agronomia do IFMG: “O dia de campo é um momento de trabalho e aprendizado. Estamos aqui para mostrarmos na pratica o que as instituições têm de tecnologia e como fazem para chegar ate o produtor rural”.

Em agradecimento ao convite, o professor do Instituto Federal, Álisson José Eufrásio de Carvalho, destacou a importância de trazer mais de 30 futuros profissionais a campo para conhecerem as novas tecnologias aliadas dos produtores rurais e do meio ambiente. “Nossa função, como instituição de ensino da região, é formar profissionais que acompanhem os avanços tecnológicos que são desenvolvidos e aqueles já implantados em nossa região. O engenheiro agrícola, florestal, ou o técnico agropecuário precisa ter conhecimento dessas técnicas e, a partir daí, se torna disseminador da informação” disse Álisson.

Palestras

Os produtores se dividiram em três grupos e fizeram um rodízio para acompanhar as três palestras simultâneas. Coube ao professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Fundação Arthur Bernardes (Funarbe), doutor em engenharia e um dos idealizadores do irrigâmetro, Márcio Mota Ramos, apresentar a relação entre vazão, pressão e espaçamento dos emissores na qualidade da irrigação.

Já o consultor da Funarbe/UFV e mestre em engenharia agrícola, Gustavo de Castro Gonçalves, esclareceu dúvidas sobre o manejo da irrigação e o funcionamento do irrigâmetro. Depois de instalado, o produtor deve fazer a leitura do equipamento diariamente para saber a quantidade de água que deve ser utilizada para irrigação. “É importante lembrar que o equipamento é instalado e preparado de acordo com cada cultura. Não é possível emprestar o aparelho nem utilizar as medidas indicadas em outra propriedade. Por exemplo, se o equipamento for instalado para um local que produz café, as medições serão diferentes de uma fazenda de arroz”, explica Gustavo. Ainda segundo o engenheiro agrícola, “apresentar o aparelho também é de extrema importância porque os produtores, mesmo estando em uma região com vários equipamentos instalados pelo CBH, ainda não conheciam o programa nem o aparelho” finaliza Gustavo.

A terceira e última palestra foi ministrada pelo engenheiro agrônomo, pós-graduado em Meio Ambiente e Bovinocultura e coordenador da regional da Emater no Estado, Julio César Merlim Gomes. Ele compartilhou com os participantes a experiência na produção de silagem de milho irrigado.

Uso racional no campo

Cientes da importância do uso consciente dos recursos hídricos no meio rural e por se tratar da principal atividade econômica da bacia, o Programa de Incentivo ao Uso Racional da Água na Agricultura (P22) foi criado com o objetivo combater o desperdício de água no campo. Através da utilização de recursos oriundos da cobrança pelo uso da água, o programa financia a instalação do o irrigâmetro, equipamento que indica, de forma simples, quando e quanto irrigar. Os participantes são indicados pelo Comitê de Bacia Hidrográfica ao qual pertencem, tendo como critérios de seleção o tipo de cultura, a localização geográfica e a zona de conflitos. Após serem selecionadas, as propriedades são visitadas por técnicos, que analisam o tipo de solo, o sistema de irrigação e as culturas exploradas. A partir das informações coletadas, o aparelho é personalizado.

Durante toda a execução do programa, os produtores recebem assistência técnica sobre o manuseio do irrigâmetro, informações sobre a cultura trabalhada e orientações sobre licenciamento ambiental e outorga de água. Ao final dos trabalhos, o participante recebe um relatório individual, contendo dados sobre o manejo da irrigação, quantidade de água utilizada e economia de energia elétrica.

Resultados

O encontro foi realizado no sitio do Sr. Elbes Carvalho, que produz silagem, leite e eucalipto. O produtor foi contemplado com o irrigâmetro há um ano e meio e já destaca a economia no consumo de água e energia e o aumento significativo na produção. “Mesmo com a forte estiagem do ano passado conseguimos irrigar. Tivemos água suficiente para manter a produção sem prejudicar ninguém”, comenta o produtor orgulhoso dos resultados.


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