Conselheiros dos comitês afluentes do rio Doce visitam Mariana

29/09

Ação promovida pela Fundação Renova apresentou trabalho de recuperação das regiões atingidas por rompimento de barragem

Conselheiros dos comitês de bacia hidrográfica que atuam no rio Doce participaram, nos dias 27 e 28 de setembro, de uma visita às regiões atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana/MG. A ação foi promovida pela Fundação Renova com o objetivo de apresentar as atividades desenvolvidas na região e estreitar o relacionamento com os comitês, uma vez que estes atuam há mais tempo na bacia e conhecem mais detalhadamente a região.

Estiveram no evento: Wanderci Gomes, do CBH-Piranga; Flamínio Guerra, presidente do CBH-Piracicaba; Rafael Pompermayer, do CBH-Santo Antônio; Fernando Maldonado, do CBH-Manhuaçu; Wilson Acácio, vice-presidente do CBH-Caratinga; Antônio Ruy, presidente do CBH-Pontões e Lagoas do Rio Doce; Antônio Ferreira, do CBH-Santa Maria do Doce; e Jonas Chequetto, vice-presidente do CBH-Barra Seca e Foz do Rio Doce. O roteiro da visita incluiu a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Bicas, a Ponte do Gama, pontos de cercamento de Áreas de Preservação Permanente (APPs), Barra Longa e a propriedade da família Coelho Rola.

Manejo de rejeitos e reflorestamento

Atualmente, a Renova desenvolve 42 programas ao longo da bacia do rio Doce e a visita se concentrou em dois deles: Manejo de Rejeitos e Reflorestamento. Para Flamínio Guerra, presidente do CBH-Piracicaba, a participação dos comitês neste esforço é fundamental. “Estarmos aqui é importante porque a gente pode acompanhar, presencialmente, o que tem sido feito”, explica.

O roteiro da visita foi aberto com uma apresentação das ações realizadas desde a época do rompimento até hoje, tais como: remoção de rejeitos; limpeza do rio; manutenção do curso d’água; controle de erosão e assoreamento; recuperação de áreas degradadas; reflorestamento e monitoramento e controle da qualidade da água. Para Rafael Pompermayer, conselheiro do CBH-Santo Antônio, este é um momento único para compartilhar conhecimento. “É importante envolver os comitês de bacia neste processo para que o conhecimento gerado pela Fundação se dissemine.” Já a Fundação ressalta que é importante ter os comitês como parceiros pelo fato de as entidades já atuarem na bacia há anos.

Empecilhos

Giorgio Peixoto e Raquel Bicalho foram os responsáveis pela apresentação do trabalho já realizado pela Renova. De acordo com eles, há uma disposição por parte da maioria das propriedades em cooperar com as ações da Fundação. “Temos mais de 90% de aceitação dos produtores rurais, mas ainda existem alguns problemas”, diz Peixoto.

De acordo com ele, um dos principais empecilhos se deve à presença de gado e cavalos nas áreas que estão em processo de recuperação. “A gente vai lá, explica e os produtores rurais aceitam. Começamos os trabalhos e, quando floresce a vegetação, eles estouram as cercas e colocam o gado para pastar”, explica. Segundo ele, o procedimento tem dificultado o desenvolvimento das ações.

Além disso, Raquel, que trabalha no Programa de Manejo de Rejeitos, ressalta a presença de garimpos ilegais na região. “Eles usam mercúrio no processo de garimpagem e isso prejudica o manancial por causa da contaminação.” Segundo ela, a Fundação denunciou a ação e levou órgãos ambientais às regiões para que fossem tomadas providências. “O problema é que quando a gente chega lá, eles vão embora. Dão um tempo, mas, hora ou outra, voltam a garimpar”, conta.

Situação da água

Um ponto de preocupação identificado ao longo da visita diz respeito à qualidade da água disponível na Bacia. Raquel, no entanto, comemora o fato de os níveis de metais em suspensão e de turbidez da água estarem dentro dos parâmetros estabelecidos por órgãos ambientais para que a água seja tratada antes do consumo. “Os índices estão dentro do que a Lei prevê, mas isso não exclui a nossa obrigação de trabalhar para retirar o rejeito de lá”, lembra.

Crítica à Renova

Os conselheiros dos comitês que participaram das visitas se mostraram satisfeitos com os resultados alcançados, mas ainda levantam críticas ao posicionamento da Fundação no início dos trabalhos. O professor Wilson Acácio, vice-presidente do CBH-Caratinga, ressaltou que o Plano Integrado de Recursos Hídricos (PIRH), o Plano de Ações de Recursos Hídricos (PARH) e o Plano de Aplicação Plurianual (PAP) não foram levados em conta na hora de traçar as ações que seriam realizadas na bacia.

“Os comitês possuem planos de bacia que listam os pontos mais críticos e carentes de atenção. Isso não foi considerado pela Fundação. Esses documentos listam projetos e ações muito similares aos que estão sendo desenvolvidos nas regiões atingidas, ou seja, deveria haver uma sinergia maior entre a Fundação e os comitês”, explica.

O professor também critica a forma como as informações têm sido repassadas até o momento. Segundo ele, os comitês têm sido bem informados sobre o trabalho realizado no Alto Rio Doce e nas regiões de Mariana e Barra Longa, mas faltam detalhes sobre o restante da bacia. “A gente ouve falar muito dessa região, mas sobre o que acontece no Médio e Baixo Rio Doce eu não sei dizer, porque não houve repasse dessas ações. São 42 projetos, mas só nos apresentaram dois”, comenta.

Os conselheiros também criticam o fato de não ter sido programada uma visita a Bento Rodrigues e à barragem de Fundão. Para Fernando Maldonado, do CBH-Manhuaçu, e Flamínio Guerra, presidente do CBH-Piracicaba, por ser a região mais atingida, a visita deveria ter começado por lá.

Sobre o acesso à área mencionada, a Renova explicou que há uma cancela no local e é necessária uma autorização da Defesa Civil para entrar. O pedido para visitar deve ser feito dois dias úteis antes da data pretendida. Por essa razão, não houve tempo hábil de planejar a ida dos conselheiros à região.

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