Comitês da Bacia do Rio Doce participam de workshop na Copasa


18 abr/2017

Evento discutiu a qualidade da água tratada para consumo humano e formas de melhorar a comunicação com a comunidade

A tragédia ambiental registrada em Mariana, em 5 de novembro de 2015, motivou a realização de mais um workshop pela Câmara Técnica de Segurança Hídrica e Qualidade da Água do Comitê Interfederativo (CIF), em parceria com as CT’s de Saúde Multidisciplinar e de Comunicação e Controle Social. Representantes das diretorias e conselheiros dos Comitês afluentes do Rio Doce participaram do evento, realizado na sede da Copasa, em Belo Horizonte, nos dias 11 e 12 de abril.

De acordo com Gisela Forattini, diretora de planejamento da Agência Nacional de Águas (ANA) e uma das organizadoras do evento, a discussão foi fundamental para que fossem traçadas estratégias de comunicação com as comunidades que dependem do Rio Doce, em especial aquelas que ainda se recusam a usar o recurso hídrico, receando má qualidade. “A água bruta do Doce está em situação excelente, pronta para tratamento, mas algumas comunidades continuam se recusando a usá-la”, observou Gisela. Segundo ela, as CT’s perceberam que existe uma lacuna no Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) – assinado entre a Samarco, Vale, BHP Billiton, União e Governos de Minas e Espírito Santo – e, por esse motivo, o CIF deverá criar uma Câmara Técnica específica para cuidar de todas as ações.

Após o término do workshop, duas notas técnicas serão produzidas e encaminhadas à Fundação Renova, no mais tardar no começo de maio – uma sobre monitoramento da qualidade da água e outra que trará um plano de comunicação para orientar o repasse de informações às comunidades.

O Doce não morreu

Para Ronevon Huebra, presidente do CBH-Caratinga e representante do CBH-Doce, o momento é oportuno para debater os problemas identificados pelas Câmaras. “Trazer para cá as CT’s, junto dos Comitês afluentes do Rio Doce e os demais envolvidos com a temática, foi fundamental para estabelecermos as bases mínimas para o monitoramento da água tratada e a comunicação com a sociedade”, explicou. Segundo Huebra, muita gente acredita que o rio Doce morreu após a tragédia de Mariana, mas muito tem sido feito para recuperar e revitalizar o manancial. “Existe muito trabalho sendo feito na bacia. O rio Doce tem problemas – e já os tinha antes –, mas muitas ações estão sendo feitas para a recuperação do rio. Tenho certeza de que, no médio e longo prazo, conseguiremos isso”, avaliou.

No curto prazo, Ronevon ressalta que o recurso hídrico da Bacia do Rio Doce pode perfeitamente ser tratado e distribuído para consumo humano, sem causar danos à saúde pública e às pessoas individualmente. “Os Comitês estão bem atentos a isso. Trata-se de recurso hídrico, principal matéria-prima de um Comitê de Bacia. Além disso, a questão envolve saúde pública, que é uma preocupação dos CBHs, embora não seja nossa atribuição zelar diretamente por ela”, comentou.

Articulação entre CT’s

O evento foi realizado graças a um trabalho conjunto de três Câmaras Técnicas do Comitê Interfederativo. Para Iusifith Chafith, conselheiro do CBH-Piracicaba, a experiência foi positiva por permitir uma integração dos participantes. “Começamos a ter uma linguagem mais uniforme, além de uma visão do que cada CT está fazendo”, pontou. Segundo Chafith, não basta ter o Plano de Comunicação, é necessário que o Comitê ouça seus conselheiros e dialogue com as comunidades. “Como o assunto é muito técnico, com diálogo a gente consegue formatar uma comunicação que todos possam entender”, comentou.


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