CBH-Suacuí reúne produtores rurais de Cuparaque em Dia de Campo

06/04

Evento serviu para apresentar o Programa de Incentivo ao uso racional da água na agricultura (P22)

Mais de 60 produtores rurais da região de Cuparaque se reuniram na tarde do dia 04, na fazenda Pedra do Galho, para o dia de campo promovido pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Suaçuí (CBH-Suaçuí).  Participaram do evento a prefeita do município Mônica Tessarolo, representantes da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Instituto Terra, IBIO e conselheiros do comitê.  O encontro teve o objetivo de apresentar os resultados do Programa de Incentivo ao Uso Racional da Água na Agricultura (P22), que contempla o produtor com o irrigâmetro, equipamento que indica a quantidade de água que deve ser usada na irrigação.

A prefeita abriu o encontro destacando a importância e os resultados da parceria entre o município e o Comitê de Bacia. “O CBH está sempre presente em nosso município e isso traz um retorno positivo para os produtores rurais e nossos córregos. Sabemos que a cada dia é preciso procurar novas formas de fazer nossas terras produzirem sem prejudicar a natureza e vemos que o irrigâmetro é uma dessas formas: simples e com resultados nítidos”, lembrou Mônica Tessarolo.

Palestras

Os produtores se dividiram em três grupos e fizeram um rodízio para acompanhar as três palestras simultâneas. Coube ao professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Fundação Arthur Bernardes (Funarbe), doutor em engenharia e um dos idealizadores do irrigâmetro, Márcio Mota Ramos, apresentar a relação entre vazão, pressão e espaçamento dos emissores na qualidade da irrigação.

Já o consultor da Funarbe/UFV e mestre em engenharia agrícola, Gustavo de Castro Gonçalves, esclareceu dúvidas sobre o manejo da irrigação e o funcionamento do irrigâmetro. Depois de instalado, o produtor deve fazer a leitura do equipamento diariamente para saber a quantidade de água que deve ser utilizada para irrigação. “É importante lembrar que o equipamento é instalado e preparado de acordo com cada cultura. Não é possível emprestar o aparelho nem utilizar as medidas indicadas em outra propriedade. Por exemplo, se o equipamento for instalado para uma propriedade que produz café as medições serão diferentes para uma fazenda de arroz”, explica Gustavo.

A terceira e última palestra foi ministrada pelo engenheiro agrônomo e coordenador técnico regional de culturas da Emater, Jader Murta Pinto Coelho, e discutiu as técnicas de conservação de solo e água.

Uso racional no campo

Cientes da importância do uso consciente dos recursos hídricos no meio rural e por se tratar da principal atividade econômica da bacia, o Programa de Incentivo ao Uso Racional da Água na Agricultura (P22) foi criado com o objetivo combater o desperdício de água no campo. Através da utilização de recursos oriundos da cobrança pelo uso da água, o programa financia a instalação do o irrigâmetro, equipamento que indica, de forma simples, quando e quanto irrigar. Os participantes são indicados pelo Comitê de Bacia Hidrográfica ao qual pertencem, tendo como critérios de seleção o tipo de cultura, a localização geográfica e a zona de conflitos. Após serem selecionadas, as propriedades são visitadas por técnicos, que analisam o tipo de solo, o sistema de irrigação e as culturas exploradas. A partir das informações coletadas, o aparelho é personalizado.

Durante toda a execução do programa, os produtores recebem assistência técnica sobre o manuseio do irrigâmetro, informações sobre a cultura trabalhada e orientações sobre licenciamento ambiental e outorga de água. Ao final dos trabalhos, o participante recebe um relatório individual, contendo dados sobre o manejo da irrigação, quantidade de água utilizada e economia de energia elétrica.

Resultados

O encontro foi realizado no sitio Pedra do Galho, que pertence ao Sr. Paulo de Tarso. O produtor foi contemplado com o irrigâmetro há oito meses e já destaca a economia no consumo de água e o aumento na produção. “Tudo que produzimos aqui é orgânico, sem utilização de nenhum agrotóxico. Depois da instalação do irrigâmetro, identifiquei que a última remessa de arroz, amendoim e maracujá produziu mais que imaginava e o consumo de água diminuiu cerca de 70%”, comenta o produtor orgulhoso dos resultados. Ainda segundo Paulo, antes ele tinha uma única nascente na propriedade, agora são oito, todas cercadas e reflorestadas.

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